Em uma só bocada, eu engulo a noite inteira e todo universo que se estende pra além dela. Sinto todas as suas estrelas brilharem imensamente em meu estômago repleto de borboletas. E os morcegos, corujas e pássaros noturnos fazem ninho no meu coração cheio de ramos secos. A escuridão me preenche, desde os fios do cabelo até os dedões do pé e meus olhos são a madrugada que desponta seca no horizonte dos peitos sem amores. O vão que separava minhas mãos do sol se desfaz e eu disparo em direção ao amanhecer. O tiro se perde na infinitude do mundo e eu volto a ser só, a ser pó, a ser nada além de um pedaço ínfimo de glorioso nada.
cedo:   (via oxigenio-dapalavra)